O Impacto da Cultura Coreana: Das Telas Brasileiras ao Domínio nas Bilheterias Asiáticas

A onda do entretenimento sul-coreano não para de crescer e o seu reflexo no Brasil fica cada vez mais evidente com produções como Além do Guarda-Roupa. A trama acompanha a vida de Carol, interpretada por Sharon Cho, uma adolescente de 17 anos que nasceu e cresceu em São Paulo, mas carrega ascendência asiática. Órfã de mãe desde muito cedo e abandonada pelo pai — que viajou para a Coreia do Sul e nunca mais deu as caras —, a jovem desenvolveu uma relação bastante conflituosa com suas próprias raízes. De certa forma, ela rejeita qualquer coisa que remeta ao país asiático. Isso inclui até mesmo o K-pop, fenômeno musical global que arrasta uma verdadeira legião de fãs em território brasileiro.

Solitária e cheia de inseguranças, Carol enfrenta dificuldades diárias para se enturmar no colégio e lida com a pressão de uma família excessivamente tradicional, sentindo-se muitas vezes perdida e sem rumo. As coisas começam a mudar de figura, no entanto, quando a adolescente acaba conhecendo e se aproximando de um grupo de jovens coreanos. A partir desse convívio, ela passa a aprender mais sobre a cultura de seus antepassados, pavimentando um caminho sensível para finalmente se sentir confortável com a sua própria identidade.

Um Elenco que Mistura Nações

Para dar vida a essa história de descobertas, a série aposta em um elenco de peso que faz a ponte entre os dois países. A protagonista e atriz iniciante Sharon Cho divide a tela com verdadeiros ídolos do K-pop, trazendo nomes de peso da indústria sul-coreana para a produção. Entre eles estão Kim Woo-jin, do grupo Stray Kids, no papel de Kyung-min; Jin Kwon, conhecido por Para a Minha Estrela 2, interpretando Dae Ho; Lee Min-wook, de O Som da Magia, como Sang Mok; e Yoon Jae Chan, de Um Novo Voo, vivendo Chul Woo. O lado brasileiro da obra também não fica atrás. A escalação conta com figuras conhecidas do público, como Júlia Rabello, Sabrina Nonata, Lucas Deluti, a influenciadora Luiza Parente, a renomada bailarina Ana Botafogo, o humorista Pyong Lee e o novato Gabriel Coppola.

O Domínio do Terror e Épicos Nacionais em Seul

Enquanto a cultura asiática inspira roteiros e parcerias do outro lado do mundo, o cinema doméstico na Coreia do Sul continua provando a sua força impressionante frente ao mercado internacional. No fim de semana de 17 a 19 de abril, as bilheterias locais foram amplamente dominadas por produções nacionais. O grande destaque ficou por conta do terror Salmokji : Whispering Water, que manteve a liderança folgada no ranking. O longa arrecadou US$ 3,3 milhões graças a um público de 472.121 espectadores, garantindo metade de toda a receita gerada nos cinemas do país nesses três dias, segundo os dados oficiais do KOBIS, serviço de rastreamento do Conselho de Cinema Coreano.

Dirigido por Lee Sang-min e protagonizado pelos atores Kim Hye-yoon e Lee Jong-won, o suspense acompanha uma equipe responsável por mapear ruas com câmeras que, de repente, esbarra em eventos sobrenaturais assustadores nas margens de um reservatório remoto. Distribuído pela Showbox, o filme já acumula US$ 10,2 milhões em caixa e levou mais de 1,4 milhão de pessoas às salas escuras desde a sua estreia.

Hollywood na Vice-Liderança e Dramas Históricos

A concorrência de Hollywood teve que se contentar com a segunda posição. A ficção científica Project Hail Mary, estrelada pelo astro Ryan Gosling, faturou US$ 1,3 milhão no fim de semana. O filme vem apresentando uma boa estabilidade e já soma impressionantes US$ 17,5 milhões e quase 2,3 milhões de ingressos vendidos desde que entrou em cartaz em 18 de março.

Logo atrás, o drama de época The King’s Warden adicionou mais US$ 712 mil à sua receita. Mesmo na sua décima primeira semana de exibição e passando por uma desaceleração natural, o longa continua fazendo história no país. Com uma bilheteria acumulada de US$ 108,6 milhões e 16,5 milhões de espectadores, ele já se consolida como o segundo filme mais assistido de todos os tempos na Coreia do Sul, ficando atrás apenas do fenômeno de público The Admiral: Roaring Currents.

Fechando o ranking dos destaques da semana, o drama independente My Name estreou na quarta posição. Com uma arrecadação inicial de US$ 380 mil, a obra do veterano diretor Chung Ji-young atraiu cerca de 60 mil pessoas aos cinemas. A história viaja até o ano de 1998 e toca em feridas profundas da história sul-coreana. A trama foca no jovem Young-oak, um garoto que sofre com a violência em uma escola só para meninos devido ao seu nome de sonoridade feminina e aos seus próprios conflitos de identidade. Em paralelo, sua mãe, Jeong-sun — vivida pela atriz Yeom Hye-ran, que divide o protagonismo com Shin Woo-bin —, começa a reviver traumas reprimidos que remontam ao massacre da Revolta de Jeju, de abril de 1948. Exibido no Festival de Berlim no início deste ano, o título estreou no dia 15 de abril e já acumula US$ 611 mil, obrigando seus personagens a encontrarem um lugar em uma sociedade que ainda tenta lidar com o próprio passado violento.