Movimentações e apostas institucionais agitam o setor de saúde na Nasdaq

O mercado de saúde iniciou a semana com uma volatilidade acentuada nas negociações de pré-abertura nesta segunda-feira. Enquanto alguns ativos registraram altas expressivas, outros enfrentaram quedas severas, refletindo o cenário de incerteza e as constantes apostas de grandes fundos de investimento no setor de biotecnologia e farmacêutica.

Destaques positivos e pressões de venda no pré-mercado

No campo das valorizações, a Acumen Pharmaceuticals (ABOS) liderou os ganhos com um salto de 16,2%, elevando seu valor de mercado para US$ 119,9 milhões. Outras empresas como a Dermata Therapeutics e a InMode também apresentaram desempenho sólido, com altas que superaram a marca dos 11%. No entanto, o cenário não foi favorável para todos. A 60 Degrees (SXTP) sofreu um recuo drástico de 37%, sendo negociada a US$ 2,86, enquanto a Revolution Medicines viu suas ações despencarem quase 22%, apesar de sua robusta capitalização de US$ 22,7 bilhões.

O forte movimento institucional na Madrigal Pharmaceuticals

Um dos pontos centrais de atenção dos investidores tem sido a Madrigal Pharmaceuticals (MDGL). Recentemente, a Universal Beteiligungs und Servicegesellschaft mbH chamou a atenção ao aumentar sua posição na companhia em impressionantes 388,3% durante o terceiro trimestre. Com a aquisição de mais de 12 mil novas ações, a gestora consolidou uma participação avaliada em cerca de US$ 7 milhões.

Esse movimento não é isolado. O setor institucional detém hoje quase a totalidade das ações da Madrigal — cerca de 98,5%. Nomes de peso como Voya Investment Management e o Sistema de Aposentadoria de Professores do Texas também reforçaram suas fatias no negócio, sinalizando uma confiança de longo prazo, apesar dos resultados financeiros imediatos apresentarem desafios.

Desempenho financeiro e o sinal dos insiders

A realidade operacional da Madrigal, contudo, mostra um contraste com o otimismo dos grandes fundos. No último balanço divulgado em novembro, a empresa reportou um prejuízo por ação de US$ 5,08, um valor significativamente pior do que o prejuízo de US$ 2,01 que o mercado esperava. Com margens líquidas negativas e um retorno sobre patrimônio (ROE) de -41,5%, a biofarmacêutica tenta equilibrar suas contas enquanto navega em um mercado de alta tecnologia.

Curiosamente, enquanto os investidores institucionais compram, alguns diretores da própria companhia aproveitaram picos de preço para liquidar parte de suas posições. O diretor Paul A. Friedman, por exemplo, vendeu o equivalente a US$ 13,6 milhões em ações em dezembro, e Richard S. Levy também reduziu sua participação em novembro. No acumulado dos últimos três meses, as vendas por parte de executivos da empresa somaram mais de US$ 65 milhões.

Panorama das ações na bolsa

Nesta segunda-feira, os papéis da Madrigal abriram cotados a US$ 480,45. A volatilidade é nítida quando observamos o intervalo das últimas 52 semanas, onde o ativo variou entre a mínima de US$ 265,00 e a máxima de US$ 615,00. Atualmente, a empresa mantém uma capitalização de mercado de US$ 10,91 bilhões, operando com indicadores de liquidez considerados saudáveis, embora o mercado ainda aguarde uma virada em direção à lucratividade para justificar os altos patamares de preço atuais.