domingo, novembro 28, 2021

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O Brasil pode ir muito mais além na digitalização do campo

Foi-se o tempo em que lavoura e pecuária eram sinônimos de um campo atrasado e longe das novidades tecnológicas. Mas isso você deve saber, afinal de contas, o Brasil é um dos países que mais inova em tecnologia para o agronegócio, e possui instituições respeitadas no mundo todo, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Embrapa e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq – USP Piracicaba.

Se temos inovação e pesquisa, é instigante imaginar o que vem a seguir. Minha aposta é que o agronegócio deve se firmar como a nova fronteira da digitalização no Brasil.

Uma informação interessante está na pesquisa “Estado atual da agricultura digital no Brasil”, publicada pelas Nações Unidas, agora em 2021. O estudo revela que 70% dos entrevistados utilizam a internet mesmo que seja para “buscas de novidades, consulta de preços e evolução dos mercados, pesquisa para aquisição de insumos e equipamentos, ou mais especificamente, em apoio direto à gestão da propriedade”.

Mas parte dos produtores já utiliza o ambiente virtual, também, para gerenciar sensores remotos no campo, para trabalhar com eletrônica embarcada, e com aplicativos ou plataformas digitais para plantios ou sistemas de produção.

Tudo isso já é realidade, e essas ferramentas devem ser aprimoradas na busca pela precisão cada vez maior que a agropecuária exige para aumentar a produtividade.

Arthur Gonçalves, CEO da Asper: “vale acompanhar os próximos passos e assistir as grandes transformações digitais”

Ou seja, telemetria, equipamentos que funcionam e conversam entre si a partir da internet das coisas (IoT); biotecnologia para o desenvolvimento de alimentos com custos mais atraentes para o campo e para a mesa; previsão de chuvas e mapeamento de lavoura e gado com o celular e cada vez mais informação em tempo real, para se saber o que está acontecendo agora: nada disso é futurologia, mas realidade.

Outra prova está no fato do aumento das agritechs. Houve um crescimento de 64,2% entre 2019 e 2020, de acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups). O salto foi de 182 para 299 empresas de tecnologia ligadas ao campo em apenas um ano. O mapeamento foi feito pela entidade em parceria com a Dell.

Existe até um “Vale do Silício caipira” para essas empresas, situado em Piracicaba (SP). Para se ter uma ideia, são 50 startups na cidade de pouco mais de 400 mil habitantes. O fato é que o surgimento de tantas agritechs é um dado promissor, e ainda iremos nos beneficiar com a chegada dos investimentos em 5G no país.

Mas se por um lado a nova geração de transmissão de dados móveis vai aumentar a velocidade das conexões, é preciso know-how para levar a inteligência artificial a mais lugares, auxiliando em cada vez mais funções.

Mais de 40% das agritechs nacionais estão voltadas à área de crédito rural. É por isso que, no nosso dia a dia, identificamos oportunidades para companhias que estejam empenhadas em avançar em ferramentas de inteligência artificial no campo.

Uma das vantagens do 5G é conectar mais dispositivos ao mesmo tempo. Mas, com essa nova leva de dados, será cada vez mais importante as plataformas serem capazes de reunir e interpretar os dados com a exatidão necessária.

O que podemos tirar de conclusão deste contexto? A demanda por tecnologia só aumenta, mas ainda não é regra fora das grandes companhias do agro. Agora, já parou para pensar como seria o campo brasileiro se a internet estivesse disponível a todos?

Se jamais pensou no assunto, é importante saber que a agenda de discussões sobre essas inovações está intensa no Brasil. Vale acompanhar os próximos passos desse segmento e assistir as grandes transformações digitais que esse importante pilar da economia brasileira vai gerar para o produtor rural. Principalmente para os pequenos e médios produtores.

Para esse público, temos observado avanços como o aumento da competitividade no exterior e espaços de debate como a Câmara Agro 4.0. Esses são apenas alguns exemplos de como a digitalização pode afetar o pequeno e médio produtor, que vão produzir mais e melhor por conta de iniciativas de entidades e de cooperativas.

*Arthur Gonçalves é CEO da Asper, integradora digital, com escritórios nas principais capitais brasileiras

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