terça-feira, dezembro 7, 2021

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Amanhã, acontece a primeira corrida de carros autônomos

Desde os anos 1990, com o advento da eletrônica no automobilismo, discute-se a possibilidade de corridas sem pilotos. Nos tempos de domínio da Williams na Fórmula 1, era lugar comum dizer que, com tanta parafernália embutida, o monoposto fosse capaz de andar sozinho. Trinta anos depois, o caso se concretizou. Uma corrida com carros autônomos será disputada neste sábado (23) no Indianapolis Motor Speedway (IMS), o principal templo do esporte a motor nos Estados Unidos.

Organizado pelo próprio IMS em parceria com a ONG Energy Systems Network (ESN), o Indy Autonomous Challenge tem como modelo o Darpa Grand Challenge, concurso lançado pelo Departamento de Defesa dos EUA nos anos 2000 que incentivava o desenvolvimento de carros autônomos. Cada veículo competindo na corrida custa mais de US$ 1 milhão (em torno de R$ 5,7 milhões) para ser feito.

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“Se for possível trazer de volta a empolgação do Darpa [agência de pesquisa militar dos EUA] e aplicá-la a um exemplo que tenha uso realmente de ponta, como corrida em alta velocidade, isso pode possibilitar à indústria pular de onde está para onde precisa e, assim, nos ajudar a perceber nosso futuro autônomo”, diz Paul Mitchell, CEO da ESN, em entrevista ao site Ars Technica.

Equipes compostas de universitários

Com o apoio de doações corporativas e fundações, as equipes são compostas por alunos de universidades de todo o mundo, entre elas Western Michigan, A&M, Virgínia, MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), Munique e Varsóvia. Os times compram seu veículo por cerca de US$ 300 mil (cerca de R$ 1,7 milhão) e, no fim, o vencedor recebe um prêmio universitário de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 8,6 milhões).

Como de praxe nas competições organizadas nos Estados Unidos, o carro é padronizado para todas as escuderias. Baseado no mesmo chassi da Indy Lights, divisão de base da Fórmula Indy, o IAC AV-21 traz um motor de combustão interna que gera 335 kW de potência (449 cavalos) e câmbio sequencial de seis velocidades. O monoposto é equipado com seis monocâmeras, quatro radares, três sensores LiDAR e um GPS RTK.

No entanto, o principal desafio da corrida não é mostrar a velocidade dos carros autônomos, como no automobilismo convencional, e sim como eles lidam com o perigo e respondem a situações inesperadas.

“Se a tecnologia usada num carro de corrida autônomo a 200 milhas por hora [o equivalente a 320 km/h] pode evitar outros veículos e não perder o controle, com certeza vai ajudar o motorista médio a evitar um pedaço de madeira que cai do caminhão na frente deles em uma rodovia”, explica Matt Peak, diretor de mobilidade da ESN (Energy Systems Network), uma das organizadoras da competição, ao site Ground Truth Autonomy.

Pilotos participantes do Indy Autonomous Challenge (IAC/Divulgação)

Se não tem velocidade, qual é a diversão?

Os participantes do Indy Autonomous Challenge afirmam que a corrida com carros autônomos traz desafios específicos que a difere bastante de um páreo na Fórmula 1 ou na Fórmula Indy. Por exemplo, a importância de determinar a melhor forma de ultrapassar o veículo à frente sem provocar uma colisão.

Na verdade, sem um piloto no cockpit, o desafio recai sob três elementos: percepção, planejamento e controle. Primeiro, o carro utiliza seus sensores de ambiente para perceber as características da pista. A partir daí, calcula os movimentos necessários para planejar sua próxima manobra. O último passo, então, é o mais difícil.

“Digamos que você coloque seu veículo em uma margem de segurança de 2 metros, ou seja, para ficar longe de todos os objetos ao redor neste mesmo raio. O que fazer se o carro de outra pessoa entrar nesse módulo de segurança?”, explicou Alexander Wischnewski, líder da equipe da Universidade de Munique, também em entrevista ao Ars Technica.

IAC AV-21, carro que disputa o Indy Autonomous Challenge
Carro que disputa o Indy Autonomous Challenge possui motor de 449 cavalos (IAC/Divulgação)

Logo, a ideia é desenvolver um algoritmo suficientemente complexo que permita ao monoposto reagir às situações mais imprevisíveis na pista. Isso pode contribuir, diz Wischnewski, não apenas à segurança dos carros autônomos no futuro, mas também à diversão na competição, já que é possível acontecer de um veículo andar roda a roda com outro.

Outro fator importante é como garantir que um veículo sem piloto no habitáculo processe todos os comandos enquanto se move a 290 km/h. O IAC fez uma corrida de simulação no fim de junho (veja no vídeo abaixo) e uma das principais dúvidas que surgiram foi como levar um carro ao limite sem correr risco de uma falha mecânica. Atualmente, o recorde de velocidade de um carro pilotado por uma inteligência artificial é de 280 km/h.

Neste sábado (23), a corrida em Indianápolis será curta, com 80 quilômetros de extensão — portanto, um quarto de um Grande Prêmio de Fórmula 1. Nove equipes de 21 universidades disputam o páreo, que terá 20 voltas. Você pode assistir à prova no site oficial do IAC, às 14h (de Brasília).

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