domingo, outubro 17, 2021

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Preço médio dos 10 carros mais vendidos no Brasil sobe 200% em uma década

Comprar um carro nunca foi fácil no Brasil. No entanto, nos últimos dez anos, o panorama piorou sensivelmente. De acordo com levantamento da Keeley Blue Book (KBB), empresa americana especializada em pesquisa de preços de veículos novos e usados, o preço médio dos dez carros mais vendidos no Brasil triplicou entre os anos de 2011 e 2021.

Dez anos atrás, os dez veículos que ocupavam a lista dos mais comercializados, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), eram do tipo hatch ou sedã e nenhum deles custava menos de R$ 40 mil. Os mais baratos eram o Celta (sedã) e o Classic (hatch), ambos da General Motors, que saíam, respectivamente, pelo valor médio de R$ 24.735 e R$ 26.000.

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O Volkswagen Voyage — que, por sinal, sairá de linha neste ano — era o mais caro, custando em média R$ 39.475. Somando, portanto, os valores médios de cada veículo na lista de 2011, chegava-se ao preço de R$ 33.327.

Comparativo dos carros mais vendidos no Brasil em 2011 e 2021 (Créditos: Keeley Blue Book Brasil/Divulgação)

Em 2021, todavia, o cenário é bem diferente. Primeiro, quatro dos dez modelos mais vendidos são SUVs e quatro deles também passam dos R$ 100 mil. Depois, a disparidade entre o mais barato e o mais caro aumentou de forma singular.

Enquanto o preço médio do carro mais barato é o do Renault Kwid, custando R$ 49.335, o Jeep Compass, o mais caro entre os dez mais vendidos de 2021, sai pelo valor médio de R$ 187.190 — quase o quíntuplo do Voyage, o mais oneroso de 2011.

Por conta disso, o preço médio atual de um carro “popular” no Brasil chega a R$ 96.528, um valor três vezes maior do que os de dez anos atrás — a variação exata é 189,64%.

Chevrolet Celta
Em 2011, era possível comprar um Celta, à época um dos dez carros mais vendidos no Brasil, com menos de R$ 25 mil (Leonardo Juliano/Shutterstock)

Alta de preços não acompanha o salário mínimo e o IPCA

Segundo a KBB, a renda básica no Brasil também não acompanhou a alta no preço médio dos carros. Tendo como base o salário mínimo em 2011, um brasileiro teria que receber 61 salários para ter o poder de compra necessário para cobrir o valor de um carro — e em torno de 45 para adquirir o Celta, o modelo mais barato.

Hoje, com a remuneração mínima em R$ 1.100, são requeridos 87 salários para atingir a mesma média. Para comprar o modelo mais barato, que atualmente é o Renault Kwid, o valor segue em torno de 45 vencimentos.

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A Keeley afirma que não é possível concluir uma interpretação inflacionária porque os carros de 2011 tinham uma grandeza diferente dos de hoje, que possuem maior valor agregado.

Por outro lado, pela variação acumulada do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) entre 2011 e 2021, é possível deduzir que o preço dos dez automóveis mais vendidos subiu acima da inflação. Enquanto a inflação acumulada no período foi de aproximadamente 76,73% — segundo a calculadora fornecida pelo IPCA —, o preço dos carros chegou a 189%.

Ou seja, se o Volkswagen Gol, único automóvel presente nas duas listas, tivesse seu preço corrigido de acordo com o índice, ele custaria em torno de R$ 60.261. Hoje, o Gol sai acima disso, por R$ 68.350.

O que o levantamento mostra, todavia, é que o perfil dos carros mais vendidos no Brasil mudou. Dos dez mais comercializados em 2021, somente o Gol, da Volkswagen, e o Onix, da Chevrolet, podem se enquadrar nesta categoria. “E com ressalvas quanto à real acessibilidade do consumidor devido ao preço médio mais elevado”, afirma a empresa.

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